domingo, 7 de março de 2010

WIDGET DE ILHA DO MEDO

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

J.K. ROWLING: OS CONTOS DO BARDO BEEDLE

Post iniciado em 05/02/2009

Já escrevi que Harry Potter é uma cachaça. E a autor, J. K. Rowling, ofereceu mais essa pequenina dose.
Parecem contos de fadas, mas são contos de bruxos cheios de boas lições, que a Hermione lê sem parar em Harry Potter e as Relíquias da Morte. Cada história tem comentários do Professor Dumbledore. The Warlock's Hairy Heart é o meu preferido. Bom para trouxas felizes!

EDWARD RUTHERFORD: OS PRÍNCIPES DA IRLANDA (DUBLIN FOUNDATION)


Post iniciado em 05/02/2009

Esse aí eu levei quase 2 anos para ler, mas consegui terminar antes do estouro dos fogos de 31/12 (2008).

Desse autor, Edward Rutherfurd, já tinha lido Londres, o romance, em que narra 2.000 anos da história da capital inglesa desde sua formação geológica até a década de 90. Cada capítulo detém-se num determinado período histórico, formando um fio condutor da história da própria Inglaterra. Passamos pela época da formação da aldeia celta de pescadores à beira do rio Tâmisa, os tempos de província romana, a chegada dos saxões, depois os vikings, o domínio dos normandos plantagenetas, a dinastia Tudor de Henrique VIII e Elizabeth, a Revolução Gloriosa, a Restauração, o louco rei George do século XVIII, a cultura cockney do tempo de Dickens, a formação das classes operárias da era vitoriana e por aí vai, até o governo de John Major (se não me engano).

Em um outro romance, Rutherfurd segue o mesmo modelo para contar 1000 anos de história de New Forrest. Este eu ainda não li. Está na prateleira-fila de espera. Mas o autor também manteve a receita em Os Príncipes da Irlanda, primeiro volume da obra A Saga de Dublin. No prólogo, chamado Sol Esmeralda, o autor vaga pelas origens míticas daquela terra cheia de lendas de reis gigantes. Depois, prossegue com a cultura celta medieval com seus guerreiros e druídas e avança pelos séculos até chegar ao ano de 1533, quando começam os problemas entre católicos e protestantes, que até hoje não se resolveu.

Outra marca do autor é a linha genealógica dos personagens. Um mercador retratado no século 15 pode ser descendente de algum druída do capítulo do século 5, ou de um imigrante viking do século 10. Sempre herdam um traço genético ou a corruptela do nome de seus antepassados. Um sujeito chamado MacGowan descende de um tal de MacGoignenn, e este de outro Goibnu. Todos separados por alguns séculos de histórias e acontecimentos extraordinários.

A Irlanda tem uma onda muito diferente da Inglaterra. Embora a influência escandinava seja forte, a primeira não foi invadida pelos anglos e saxões, e conseguiu manter sua raiz celta, marcada pelo idioma gaélico (semelhante aos dos escoceses e galeses) e por um certo sincretismo entre as crenças antigas e o cristianismo. Num capítulo sobre um homem que se torna monge, descendente de outro que se tornou druída, vemos como os dois mundos espirituais conseguiram se abraçar. A introspecção e contemplação da natureza nutridas pelos druídas encontrou eco na vida reclusa e de orações dos monges cristãos. Nesse episódio, faz-se menção ao lendário livro de Kells, um tesouro da cultura celta.

Cada capítulo com seu grupo de personagens deixa saudade quando termina. É um traço da obra de Rutherfurd, que é inglês, porém elegeu Dublin para viver há mais de dez anos. Seus livros sempre trazem mapas e a árvore genealógica dos personagens. A Saga de Dublin continua com o segundo volume The Rebels of Ireland (ou Ireland Awakening no mercado europeu), que ainda não foi lançado no Brasil. No site oficial do escritor ele divulga seu novo romance intitulado New York. Mais uma vez ele viaja pela história de uma cidade, recriando a Manhattan dos índios algonquins, os assentamentos de holandeses, depois os ingleses, até chegar ao século da tragédia do 11/9. Já estou morta de vontade de ler!

MARVELS e AUTHORITY

Post iniciado em 05/02/2009

Meu amigo nerd Bernardo é uma espécie de consultor para assuntos Marvel/DC. Ele me recomendou esses dois HQs de que gostei imensamente.

MARVELS, de Kurt Busiek e Alex Ross

Nesses tempos de banalização da fama e da auto-afirmação de todo e qualquer ser humano, uma história contada do ponto de vista de quem não é herói é muito intrigante. Essa série em 4 volumes propõe justamente isso.
Já pensou achar os super-heróis um saco. Um bando de marrentos e pretenciosos? Ou interpretar os fatos de forma que parece que o encapuzado não fez nada, apesar de ter salvado a humanidade. Pode acontecer com qualquer um, inclusive com um herói. O circo da fama X anonimato e do heroísmo X mera mortalidade é bem cruel. Pobres maravilhas incompreendidas.

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AUTHORITY - SEM PERDÃO, de Warren Ellis e Bryan Hitch

Novas idéias oxigenam o mundo dos HQs como essa série onde os super-heróis partem mesmo para a ignorância e realizam o que qualquer mortal gostaria de fazer para resolver problemas, conseguir justiça e combater ameaças. Tudo num contexto do planeta globalizado (defender o mundo e não só o american way) e onde o comportamento politicamente correto é defendido e ignorado ao mesmo tempo.
É um time de heróis bem ousado esse Authority. Formado pela inglesa durona e fumante Jenny Sparks (a tal Espírito do Século 20), Jack Hawksmoor, Doutor Swift, a Engenheira e o que talvez seja o primeiro casal de super-heróis assumidamente gay: Apolo e Meia-Noite. Tem outros volumes como o Authority - Sob Nova Direção, que lerei e comentarei oportunamente.

Mais Neil Gaiman: Violent Cases, Mistérios Divinos, Dias da Meia-Noite

Post começado em 05/02/2009

Na gana irracional de ler tudo do autor, comecei a limpar o tacho com esses três, que consegui encontrar em edições locais.
Mas ainda falta Mr. Punch, Signal to Noise, The Day I Swept My Dad for Two Goldfish, Livros da Magia, The Graveyard Book e sei lá mais o que.


Violent Cases
Bela edição pela HQM Editora da graphic novel de 1987. Um dos primeiros trabalhos do Gaiman com a arte do fabuloso e maluco Dave McKean.
Me lembrou o Electra Assassina do Frank Miller e Bill Sienkiewicz, lançado naquele época e que tem uma narrativa totalmente fragmentada e meio alucinada.
Gaiman tem uma identidade de escritor de terror e mistério. Violent Cases é um exemplo clássico e, dizem, revolucionário do gênero HQ.
Pouco tempo depois, os dois produzem a Orquídea Negra, uma das criações mais arrebatadoras da dupla.

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Mistérios Divinos

Tenho um fascínio pela figura do anjo caído. Difícil explicar, mas não se trata de uma adoração exotérica tipo anjos da guarda, Monica Buonfiglio (nada contra e nunca li seus livro) etc. Acho que é mais pela contradição meio humana dos anjos. Talvez o Wim Wenders tenha contribuído para essa minha noção dispersa e vaporosa feito nuvem. Pensei em tatuar um dos anjos caídos que o Gustave Doré criou para ilustrar o Paraíso Perdido, de John Milton. Mas é difícil escolher a imagem que retrata esse conceito quebrado da minha cabeça.
Lúcifer é o demo, né? Mas por muito tempo ele foi um anjo belo e admirado na cidade de prata, onde outros anjos viviam e auxiliavam Deus na criação do universo. Mistérios Divinos é originalmente um conto de Gaiman (se não me engano, faz parte da coletânea Fumaça e Espelhos) com uma trama meio policial sobre anjos, amor, assassinato e muitas emoções mais antigas que a humanidade. O artista P. Craig Russel adaptou e ilustrou o conto no formato HQ.

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Dias da Meia-Noite
Essa coleção é muito especial, pois reúne três personagens consagrados das histórias em quadrinho.
Em Sandman Teatro da Meia-Noite, o herói original da era de ouro dos HQs, Wesley Dodds, encontra o novo Mestre dos Sonhos concebido por Gaiman.
Jack in The Green conta com o Monstro do Pântano, que o autor já havia trazido para seu universo na série Orquídea Negra. Muito bom rever o grandalhão verde. Gosto muito da série que o Alan Moore escreveu com o personagem.
E ainda tem Me Abraça, com o incrível John Constantine, sempre envolvido numa história em alguma medida bizarra e arrepiante.
Os textos são de Neil Gaiman e Matt Wagner. E as ilustrações, de Dave MacKean, John Totleben, Teddy Kristiansen e Steve Bissette.

SANDMAN: A JORNADA DOS SONHOS COMPLETA


Post original (embrionário) de 05/02/2009

Houve uma lacuna gigantesca na minha leitura dos 10 volumes do Sandman. Lá pelo inicio dos anos 90 parei no meio do arco Estação das Brumas. Muitas areias do tempo depois, começou a ser lançada a série completa em volumes luxuosos de capa dura e papel couchê. Daí, tirei o atraso da experiência onírica. Quando terminei o décimo volume, Despertar, resolvi voltar ao início mais uma vez e reler todos os arcos do mestre Morpheus.

Neil Gaiman é fodaralhaço. E... sei lá.... Sandman não é só uma das melhores realizações das histórias em quadrinho. É um tesouro de imaginação artística.

Como não sonhar com a possibilidade de novas histórias do Sonhos e os outros Perpétuos?
Teve aquele belo "Noites sem fim", com novas histórias do Sandman e seus irmãos desenhadas por mestres como Milo Manara, Moebius Bill Sienkenvicz e outras feras. Mas ainda é pouco...

Casa de Bonecas, Prelúdios e Noturnos, Estação das Brumas e Um Jogo de Você podem ser meus volumes favoritos... Talvez... Mas a verdade é que tudo é bom. E ainda tem o livro com as histórias da irmã Morte.

Os irmãos perpétuos Sonho e Morte


Sem falar nas capas do Dave Mckean e no trabalho dos diversos artistas que conceberam visualmente os personagens e ilustraram as histórias.

Acho que a sequencia que mais me marcou de todas as histórias foi a da despedida de Sandman, quando sai do inferno, depois de recuperar seu elmo num combate com um dos demônios de Lúcifer. O senhor do Inferno pergunta porque ele acha que poderá sair livremente de seus domínios. E o Lord Morpheus responde algo como "-Porque eu sou o Sonho. E o que seria dos habitantes do Inferno se não pudessem sonhar com o Céu."

'Stars shining bright above you.
Night breezes seem to whisper I love you.
Birds singing in a sycamore tree.
Dream a little dream of me.'

NEIL GAIMAN: COISAS FRÁGEIS


Postado originalmente em 05/02/2009

Demorou mas lançaram no Brasil essa recente coletânea do criador de Sandman.

Destaque para o conto "O Monarca do Vale", onde Gaiman resgata o personagem Shadow, de seu romance Deuses Americanos. Outro curioso é "O Problema de Susan", em que o autor tenta exorcizar sua frustração com o destino de Susan em As Crônicas de Nárnia.

São 9 contos maravilhosos.