





Post original (embrionário) de 05/02/2009

Postado originalmente em 05/02/2009
Demorou mas lançaram no Brasil essa recente coletânea do criador de Sandman.
Destaque para o conto "O Monarca do Vale", onde Gaiman resgata o personagem Shadow, de seu romance Deuses Americanos. Outro curioso é "O Problema de Susan", em que o autor tenta exorcizar sua frustração com o destino de Susan em As Crônicas de Nárnia.
São 9 contos maravilhosos.
Postado originalmente em 01/02/2009
Eu gostei mais do outro. Aquele do guada-roupa, feiticeira, blablabla. Acho que pela fofice comovente da Lucy, que nesse outro filme está mais crescidinha. E por resgatar uma lembrança muito frágil da infância. Vi alguma versão para TV, talvez a da BBC ou algum desenho animado que passou na Globo ou SBT. Só me veio esse estalo na cena do Leão sacrificado na mesa de pedra. E depois, quando os quatro irmãos estão crescidos e reencontram o caminho do guardaroupa.
Eram alguns detalhes que compensavam a coisa bastante açucarada do primeiro filme. Esse novo é mais sombrio, triste e violento. Mas tudo isso não ajudou a fazer uma sequência melhor para a série. Não que seja de todo ruim. Diverte num sábado à tarde. Por outro lado, 2008 teve muitos filmes de fantasia e aventura concorrendo. O suficiente para embolar uma história na outra e um filme obscurecer o outro.
Agora, um pouco depois de ver o filme, li o Coisas Frágeis, do Neil Gaiman, que dedicou um conto ao exorcismo de um problema que ele sempre teve com As Crônicas de Nárnia. É uma questão difícil, porque, não querendo desmercer o valor literário da obra de C. S. Lewis, até porque nunca li, fazer alegorias religiosas em histórias de fantasia pode ser um tiro no pé. Tem metáforas óbvias do cristianismo, como o Leão que se sacrifica e ressussita, sendo testemunhado por duas irmãs (Marta e Maria ou Susan e Lucy). Mas, sinceramente, não acho que isso tenha comprometido muito o filme.
Dizem que os colegas Lewis e Tolkien, ambos cristãos (o primeiro, anglicano e o outro católico), discordavam sobre envolver a religião em suas obras. Apesar de existirem autores que decifram signos cristãos em O Senhor dos Anéis, Tolkien parece evitar isso ao máximo. Acho que o único termo que remetia ao universo judaico-cristão-muçulmano ocorre em alguma passagem em que se refere a anjos. Mas pode ser viagem minha. E não sei se era em O Senhor dos Anéis ou noO Hobbit (ainda não li o Simarillion).
O que me incomoda é quando o autor usa esses conceitos e mata o efeito de transportar completamente o leitor para o outro universo. Com Tolkien, isso não acontece. E é um dos grandes méritos do SDA. No máximo, perturba um pouco a semelhança com textos do Antigo Testamento (fulano é filho de fulano que é filho de fulano X 1000). Mas até nisso ele se safa, porque as sagas escandinavas também usam esse recurso repetitivo, por ser uma tradição oral das histórias. E o fato dele manter o calendário da Terra Média com os meses de janeiro a dezembro também podia ser diferente. Podia ter inventado um calendário totalmente fictício e cortar mais ainda a conexão com o tempo presente. Mesmo assim, a Terra Média é um universo totalmente além da imaginação.
Mas o tal conto do Gaiman meio que tenta resgatar a personagem Susan de um karma triste e injusto. Papo de não ir pro céu porque pecou. Bom... eu tenho uma edição completa das Crônicas, que ainda não li, e emprestei para minha irmã adolescente. Ela destestou e me devolveu antes de terminar de ler. Estranhei porque ela pediu emprestado com tanta curiosidade e entusiasmo, mas se decepcionou totalmente. Falou que é muito cheio de conceitos cristãos, ao ponto de não ser divertido.
Li em algum lugar que a Disney abriu mão dos direitos da obra, porque o desempenho nas telas foi fraco. E parece que ninguém está interessado em dar sequência à série.
Postado originalmente em 01/02/2009
Já faz um ano que esse entrou em cartaz nos cinemas daqui. Ontem estreou na HBO. Na época da estréia, eu estava um pouco desconfiada de um filme feito nessa técnica de computação gráfica modelada nos corpos dos atores, se posso definir assim. Mas, juntando a lenda, que é muito interessante, os atores e o Neil Gaiman (roteirista), não dava pra resistir.
E acabei achando muito acertada a opção por essa técnica. Podia ser mais um filme com fotografia estilizada, com efeito meio onírico, tipo O Senhor dos Anéis. Mas os realizadores escolheram dar um passo adiante nessa técnica de animação, e acabaram criando uma impressionante dramatização da lenda com tudo o que ela merece em termos de qualidade artística.
O filme é dirigido pelo Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro e Forrest Gump). O que para mim também era estranho. Mas depois lembrei que ele fez aquele Expresso Polar, que também emprega a mesma técnica. E já está preparando outro (A Christmas Carol) para o natal deste ano.
E o que essa técnica oferece de bom? Para começar, como se trata de um tema de fantasia de reis, heróis, dragões e tesouros, já permite uma viagem na empada sem limites para os realizadores. E podem se apoiar na expressão autêntica dos atores (Anthony Hopkins, Angelina Jolie, John Malkovich e outros) para garantir um tanto mais de realismo e emoção.
Lembro como fiquei impressionada com o primeiro Final Fantasy, em que tinha uma equipe gigante só para criar o movimento dos cabelos do personagens. Nesse filme, a técnica era de animação 3D pura, sem captar imagem de atores. E já representava um grande avanço nos movimentos, expressão facial, textura dos cabelos e pele.
Mas, voltando ao Beowulf, gosto demais da iara-dragão da Angelina Jolie. Adoro as canções obcenas que perturbam Grendel, o terrível monstro do ouvido absoluto, vivido por Crispin Glover, que também é impressionante. E o que dizer da mágica que transforma o Ray Winstone em Beowulf? A voz é perfeita para o guerreiro lendário. Mas o corpitcho, com certeza foi modelado em alguém tipo o Sean Bean em seus melhores anos... Acho que foi isso que fizeram, mas não contaram nada para o Ray. He-he-he-he!
Originalmente postado em 21/10/2008
Vivi três experiências numa mesma semana, que se embaralharam e formaram uma idéia apavorante.
Primeiro fui ver o Ensaio sobre a cegueira, do Fernando Meirelles, sobre o livro do José Saramago. Bonito e angustiante do início ao fim. Saí do cinema enxergando e pensando tudo por uma lente branca leitosa de medo. Para quem conhece a obra do Neil Gaiman, autor da sérieSandman, o filme parece um retrato de Desespero. Uma mulher é "rainha" na terra dos cegos. Julianne Moore é a mulher do oftalmologista. Ele é um estudioso da visão. Ela confunde radicais gregos e latinos. Mas e daí? Ela vai ser a única a enxergar sobre a face da terra dos cegos.
Postado originalmente em 10/07/2008.
E não é que o homem tava na área?
Nem tomei conhecimento e levei um susto quando vi o cara na GloboNews sendo entrevistado pelo Edney Silvestre.
Acho que é porque nunca posso ir à Flip mesmo, então nem me ligo de buscar informações do evento. Mas ficar sem saber que o cara veio ao país foi fffflórida. Podia atualizar minha pilha Neil Gaiman com novos autografozinhos no Neverwhere, Coisas Frágeis (que estou lendo) etc.
Ele atualiza o diário do site direto com as novidades da viagem ao Brasil (www.neilgaiman.com). Vale conferir!
Essa foto está no álbum de imagens da FLIP no UOL. Aliás é lá que tem um especial da FLIP, que parece ser o site oficial do evento. Tem matérias com o Gaiman e outros autores participantes.
Detalhe legal da entrevista na GloboNews foi ele comparando o filme Stardust com o livro. "O livro é delicado como uma asa de borboleta," diz ele. Enquanto que o filme "is huge", forte como a asa de um cisne.
E ilustrando essa parte da entrevista, eles exibem justamente o famigerada seqüência do Dustan na feira das fadas. Para mim, nesse momento a borboletinha foi espetada na parede por um gigante.
Achei dois vídeos no G1
"Era sexta-feira à tarde. Richard havia percebido que os acontecimentos são seres covardes. Eles nunca acontecem sozinhos: vêm numa matilha, pulando juntos sobre alguém ao mesmo tempo." -Neil Gaiman emNeverwhere (cap. 1).
Londres-de-baixo. Ratos. Nobres. Portas. Imagino que já exista um roteiro turístico tipo Neverwhere London Tour, passando pelas estações de metrô e outros locais que o personagem, Richard Mayhew, percorre, como Black Friars, Earls Court, Harrods, British Museum etc. Acho que até existe um roteiro pelos subterrâneos mesmo. A Londres subterrânea de Neil Gaiman em "Lugar Nenhum" (editado no Brasil pela Conrad) é bastante bizarra e assustadora. Mas antes de descer ao submundo da cidade, a vida de Richard Meyhew era um pouco assustadora também, se formos considerar o tédio, mesmice e até caretice das pessoas à sua volta. Na chamada Londres-de-Baixo ele encontra a emoção que faltava na vida, embora ao preço de muitas privações e perigos. É inevitável pensar nas jornadas clássicas de heróis, na Odisséia e em Alice no País das Maravilhas.
Conforme descrito na citação acima, Richard é atacado pelos acontecimentos que transformam inteiramente sua vida. Ele é um tanto medroso e crianção, mas não consigo evitar uma afeição pelo personagem. A perplexidade diante do mundo estranho e ameaçador onde ele vai parar pode ser comparada a alguns momentos da vida em que percebemos o quanto somos solitários. Quando nossas decisões têm de ser tomadas sem a ajuda de ninguém, pois temos que crescer ou amadurecer com uma dor que é individual e intransferível. Tem uma passagem (não vou detalhar para não virar um spoiler) em que Richard está sozinho numa plataforma de metrô e recebe a visita de um amigo. Fica aquela dúvida se é um delírio ou não, mas é um momento crucial da trama em que o confronto com a honestidade violenta do outro impulsiona o anti-herói a seguir com sua missão.
Minha irmã leu e contou que nunca mais olharia para um rato de rua do mesmo jeito. Quando terminei de ler, pensei: bom... é melhor respeitar as criaturas do submundo. Sei lá se não existe mesmo um outro universo nos subterrâneos das grandes cidades. Na dúvida, respeite os ratos (se puder). Respeite também a sombra de medo e solidão do outro. Pode ser um momento de transformação.
Na minha rua vive um cara que passa o tempo deitado na esquina escrevendo e lendo em voz alta as coisas que escreve. Gosto de pensar que ele é um anjo. Mas essa é uma outra história...
"Lugar Nenhum" é o primeiro romance do Neil Gaiman. Ele adaptou a história de uma série de TV que escreveu para a BBC nos anos 90. A série não foi muito bem recebida. Parece que tem problemas de qualidade na captura das imagens. Mas está em andamento a pré-produção de uma versão cinematográfica para 2009. Tem também uma versão em quadrinhos que a Conrad deve lançar este ano no Brasil.
Links para saber mais:
No site oficial do autor:
http://www.neilgaiman.com/works/Books/Neverwhere/
No Youtube (episódios da série de TV):
http://br.youtube.com/results?search_query=neverwhere&search_type=&aq=3&oq=neverw
E entrevista com NG sobre a série e o filme de "Neverwhere" e outros novos projetos.
http://br.youtube.com/watch?v=mXIKQfQRV3g
* Recomendações Top3
1 - Neil Gaiman: Sandman (série de HQs)
2 - Neil Gaiman: American Gods
3 - Neil Gaiman: Os Filhos de Anansi

Publicado originalmente em 31/05/2008
Outubro 2007
Você leitor verá que não tenho como disfarçar que o Neil Gaiman é meu autor favorito do momento.
Mas vamos ao filme.
Bom.. prefiro o livro. Mas o filme é divertido. Já até assisti de novo em DVD. Embora mantenha a atmosfera de conto de fadas, o ritmo do filme perde muito da qualidade meio poética, meio onírica do livro do Gaiman. É o tempo do escritor que não teve como ser representado em filme. Mesmo com a voz poderosa do Ian Mckellen como narrador.
"Certa vez, existiu um jovem que queria conquistar o Desejo de Seu Coração." Essa é a frase que inicia o livro. E, em si, ela carrega um mistério, uma idéia que intriga, mas que ao mesmo tempo não precisa de explicação. Desejo, Coração... O subtítulo do filme no Brasil é O Mistério da Estrela. Porém o mistério, a sutileza, a poesia, as filigranas delicadas de beleza do livro não tiveram chance alguma. Mas é como se diz por aí: livro e cinema são experiências muito diferentes.
Achei meio feia aquela sequência do encontro do Dunstan, pai do Tristan (ou seria Tristran), com a moça misteriosa, prisioneira de uma bruxa, na feira do mundo das fadas. No livro é tão bonito, mas no filme ficou um clima meio de "sacanagem" muito estranho. A necessidade do cinema de passar uma idéia condensada em segundos, às vezes é um saco. Acaba escorregando pro lado do mau gosto e vulgaridade.
Essa foi a única nota realmente triste na transcrição para o cinema. No mais, é divertido, tem ótimos atores, a direção de arte é belíssima. É um belo filme de aventura, romance e fantasia. No DVD tem um making-of (eu e minha mania com extras de DVDs) muito legal. O vestido da Yvaine era para ter um efeito de fluidez, como se fosse líquido. E não é que conseguiram! E tem o Neil Gaiman visitando o set de filmagem com o cenário do barco voador do capitão Shakespeare (aliás é a grande supresa do filme, a visão totalmente inesperada que deram ao personagem do de Niro... só vendo.). Gaiman passeia pelo set e pede desculpas pelo trabalho que estava dando para equipe construir um barco, que foi imaginado e descrito por ele no livro em poucos segundos. Ele tem umas idéias engraçadas em qualquer situação. Mas é verdade, né? O que um escritor ou roteirista descreve em uma linha pode custar o trabalho de uma equipe enorme, muitos recursos materiais e incontáveis terabytes de memória de computadores para a realização em um filme.
PS: Tinha uma dúvida até hoje, desde quando li o livro. O nome do cara é Tristan ou TristRan? No livro editado pela Conrad, é Tristran (com o R na segunda sílaba). Fiquei achando que era um erro de revisão da edição brasileira. E no filme, o nome é Tristan. Mas pelo que vi hoje na Amazon, é Tristran mesmo. (31/05/2008).
* Recomendações Top3
1) Livro Neil Gaiman & Charles Vess - Stardust
2) Filme Stardust
3) HQ série Neil Gaiman - Sandman"
Publicado originalmente em 13/09/2007