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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mais Neil Gaiman: Violent Cases, Mistérios Divinos, Dias da Meia-Noite

Post começado em 05/02/2009

Na gana irracional de ler tudo do autor, comecei a limpar o tacho com esses três, que consegui encontrar em edições locais.
Mas ainda falta Mr. Punch, Signal to Noise, The Day I Swept My Dad for Two Goldfish, Livros da Magia, The Graveyard Book e sei lá mais o que.


Violent Cases
Bela edição pela HQM Editora da graphic novel de 1987. Um dos primeiros trabalhos do Gaiman com a arte do fabuloso e maluco Dave McKean.
Me lembrou o Electra Assassina do Frank Miller e Bill Sienkiewicz, lançado naquele época e que tem uma narrativa totalmente fragmentada e meio alucinada.
Gaiman tem uma identidade de escritor de terror e mistério. Violent Cases é um exemplo clássico e, dizem, revolucionário do gênero HQ.
Pouco tempo depois, os dois produzem a Orquídea Negra, uma das criações mais arrebatadoras da dupla.

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Mistérios Divinos

Tenho um fascínio pela figura do anjo caído. Difícil explicar, mas não se trata de uma adoração exotérica tipo anjos da guarda, Monica Buonfiglio (nada contra e nunca li seus livro) etc. Acho que é mais pela contradição meio humana dos anjos. Talvez o Wim Wenders tenha contribuído para essa minha noção dispersa e vaporosa feito nuvem. Pensei em tatuar um dos anjos caídos que o Gustave Doré criou para ilustrar o Paraíso Perdido, de John Milton. Mas é difícil escolher a imagem que retrata esse conceito quebrado da minha cabeça.
Lúcifer é o demo, né? Mas por muito tempo ele foi um anjo belo e admirado na cidade de prata, onde outros anjos viviam e auxiliavam Deus na criação do universo. Mistérios Divinos é originalmente um conto de Gaiman (se não me engano, faz parte da coletânea Fumaça e Espelhos) com uma trama meio policial sobre anjos, amor, assassinato e muitas emoções mais antigas que a humanidade. O artista P. Craig Russel adaptou e ilustrou o conto no formato HQ.

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Dias da Meia-Noite
Essa coleção é muito especial, pois reúne três personagens consagrados das histórias em quadrinho.
Em Sandman Teatro da Meia-Noite, o herói original da era de ouro dos HQs, Wesley Dodds, encontra o novo Mestre dos Sonhos concebido por Gaiman.
Jack in The Green conta com o Monstro do Pântano, que o autor já havia trazido para seu universo na série Orquídea Negra. Muito bom rever o grandalhão verde. Gosto muito da série que o Alan Moore escreveu com o personagem.
E ainda tem Me Abraça, com o incrível John Constantine, sempre envolvido numa história em alguma medida bizarra e arrepiante.
Os textos são de Neil Gaiman e Matt Wagner. E as ilustrações, de Dave MacKean, John Totleben, Teddy Kristiansen e Steve Bissette.

SANDMAN: A JORNADA DOS SONHOS COMPLETA


Post original (embrionário) de 05/02/2009

Houve uma lacuna gigantesca na minha leitura dos 10 volumes do Sandman. Lá pelo inicio dos anos 90 parei no meio do arco Estação das Brumas. Muitas areias do tempo depois, começou a ser lançada a série completa em volumes luxuosos de capa dura e papel couchê. Daí, tirei o atraso da experiência onírica. Quando terminei o décimo volume, Despertar, resolvi voltar ao início mais uma vez e reler todos os arcos do mestre Morpheus.

Neil Gaiman é fodaralhaço. E... sei lá.... Sandman não é só uma das melhores realizações das histórias em quadrinho. É um tesouro de imaginação artística.

Como não sonhar com a possibilidade de novas histórias do Sonhos e os outros Perpétuos?
Teve aquele belo "Noites sem fim", com novas histórias do Sandman e seus irmãos desenhadas por mestres como Milo Manara, Moebius Bill Sienkenvicz e outras feras. Mas ainda é pouco...

Casa de Bonecas, Prelúdios e Noturnos, Estação das Brumas e Um Jogo de Você podem ser meus volumes favoritos... Talvez... Mas a verdade é que tudo é bom. E ainda tem o livro com as histórias da irmã Morte.

Os irmãos perpétuos Sonho e Morte


Sem falar nas capas do Dave Mckean e no trabalho dos diversos artistas que conceberam visualmente os personagens e ilustraram as histórias.

Acho que a sequencia que mais me marcou de todas as histórias foi a da despedida de Sandman, quando sai do inferno, depois de recuperar seu elmo num combate com um dos demônios de Lúcifer. O senhor do Inferno pergunta porque ele acha que poderá sair livremente de seus domínios. E o Lord Morpheus responde algo como "-Porque eu sou o Sonho. E o que seria dos habitantes do Inferno se não pudessem sonhar com o Céu."

'Stars shining bright above you.
Night breezes seem to whisper I love you.
Birds singing in a sycamore tree.
Dream a little dream of me.'

NEIL GAIMAN: COISAS FRÁGEIS


Postado originalmente em 05/02/2009

Demorou mas lançaram no Brasil essa recente coletânea do criador de Sandman.

Destaque para o conto "O Monarca do Vale", onde Gaiman resgata o personagem Shadow, de seu romance Deuses Americanos. Outro curioso é "O Problema de Susan", em que o autor tenta exorcizar sua frustração com o destino de Susan em As Crônicas de Nárnia.

São 9 contos maravilhosos.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - PRÍNCIPE CASPIAN

Postado originalmente em 01/02/2009

Eu gostei mais do outro. Aquele do guada-roupa, feiticeira, blablabla. Acho que pela fofice comovente da Lucy, que nesse outro filme está mais crescidinha. E por resgatar uma lembrança muito frágil da infância. Vi alguma versão para TV, talvez a da BBC ou algum desenho animado que passou na Globo ou SBT. Só me veio esse estalo na cena do Leão sacrificado na mesa de pedra. E depois, quando os quatro irmãos estão crescidos e reencontram o caminho do guardaroupa.

E principe Caspian é a cara do rodrigo santoro
E príncipe Caspian é a cara do rodrigo santoro

Eram alguns detalhes que compensavam a coisa bastante açucarada do primeiro filme. Esse novo é mais sombrio, triste e violento. Mas tudo isso não ajudou a fazer uma sequência melhor para a série. Não que seja de todo ruim. Diverte num sábado à tarde. Por outro lado, 2008 teve muitos filmes de fantasia e aventura concorrendo. O suficiente para embolar uma história na outra e um filme obscurecer o outro.

Agora, um pouco depois de ver o filme, li o Coisas Frágeis, do Neil Gaiman, que dedicou um conto ao exorcismo de um problema que ele sempre teve com As Crônicas de Nárnia. É uma questão difícil, porque, não querendo desmercer o valor literário da obra de C. S. Lewis, até porque nunca li, fazer alegorias religiosas em histórias de fantasia pode ser um tiro no pé. Tem metáforas óbvias do cristianismo, como o Leão que se sacrifica e ressussita, sendo testemunhado por duas irmãs (Marta e Maria ou Susan e Lucy). Mas, sinceramente, não acho que isso tenha comprometido muito o filme.

Dizem que os colegas Lewis e Tolkien, ambos cristãos (o primeiro, anglicano e o outro católico), discordavam sobre envolver a religião em suas obras. Apesar de existirem autores que decifram signos cristãos em O Senhor dos Anéis, Tolkien parece evitar isso ao máximo. Acho que o único termo que remetia ao universo judaico-cristão-muçulmano ocorre em alguma passagem em que se refere a anjos. Mas pode ser viagem minha. E não sei se era em O Senhor dos Anéis ou noO Hobbit (ainda não li o Simarillion).

O que me incomoda é quando o autor usa esses conceitos e mata o efeito de transportar completamente o leitor para o outro universo. Com Tolkien, isso não acontece. E é um dos grandes méritos do SDA. No máximo, perturba um pouco a semelhança com textos do Antigo Testamento (fulano é filho de fulano que é filho de fulano X 1000). Mas até nisso ele se safa, porque as sagas escandinavas também usam esse recurso repetitivo, por ser uma tradição oral das histórias. E o fato dele manter o calendário da Terra Média com os meses de janeiro a dezembro também podia ser diferente. Podia ter inventado um calendário totalmente fictício e cortar mais ainda a conexão com o tempo presente. Mesmo assim, a Terra Média é um universo totalmente além da imaginação.

Mas o tal conto do Gaiman meio que tenta resgatar a personagem Susan de um karma triste e injusto. Papo de não ir pro céu porque pecou. Bom... eu tenho uma edição completa das Crônicas, que ainda não li, e emprestei para minha irmã adolescente. Ela destestou e me devolveu antes de terminar de ler. Estranhei porque ela pediu emprestado com tanta curiosidade e entusiasmo, mas se decepcionou totalmente. Falou que é muito cheio de conceitos cristãos, ao ponto de não ser divertido.

Li em algum lugar que a Disney abriu mão dos direitos da obra, porque o desempenho nas telas foi fraco. E parece que ninguém está interessado em dar sequência à série.

BEOWULF

Postado originalmente em 01/02/2009

Beowulf - lenda em 3D
Beowulf - lenda em 3D

Já faz um ano que esse entrou em cartaz nos cinemas daqui. Ontem estreou na HBO. Na época da estréia, eu estava um pouco desconfiada de um filme feito nessa técnica de computação gráfica modelada nos corpos dos atores, se posso definir assim. Mas, juntando a lenda, que é muito interessante, os atores e o Neil Gaiman (roteirista), não dava pra resistir.

E acabei achando muito acertada a opção por essa técnica. Podia ser mais um filme com fotografia estilizada, com efeito meio onírico, tipo O Senhor dos Anéis. Mas os realizadores escolheram dar um passo adiante nessa técnica de animação, e acabaram criando uma impressionante dramatização da lenda com tudo o que ela merece em termos de qualidade artística.

O filme é dirigido pelo Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro e Forrest Gump). O que para mim também era estranho. Mas depois lembrei que ele fez aquele Expresso Polar, que também emprega a mesma técnica. E já está preparando outro (A Christmas Carol) para o natal deste ano.

E o que essa técnica oferece de bom? Para começar, como se trata de um tema de fantasia de reis, heróis, dragões e tesouros, já permite uma viagem na empada sem limites para os realizadores. E podem se apoiar na expressão autêntica dos atores (Anthony Hopkins, Angelina Jolie, John Malkovich e outros) para garantir um tanto mais de realismo e emoção.

Beowulf cai no charme da sereia dragão angeli
Beowulf cai no charme da sereia dragão angeli

Lembro como fiquei impressionada com o primeiro Final Fantasy, em que tinha uma equipe gigante só para criar o movimento dos cabelos do personagens. Nesse filme, a técnica era de animação 3D pura, sem captar imagem de atores. E já representava um grande avanço nos movimentos, expressão facial, textura dos cabelos e pele.

Mas, voltando ao Beowulf, gosto demais da iara-dragão da Angelina Jolie. Adoro as canções obcenas que perturbam Grendel, o terrível monstro do ouvido absoluto, vivido por Crispin Glover, que também é impressionante. E o que dizer da mágica que transforma o Ray Winstone em Beowulf? A voz é perfeita para o guerreiro lendário. Mas o corpitcho, com certeza foi modelado em alguém tipo o Sean Bean em seus melhores anos... Acho que foi isso que fizeram, mas não contaram nada para o Ray. He-he-he-he!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Sobre a Cegueira - parte 1

Originalmente postado em 21/10/2008

Vivi três experiências numa mesma semana, que se embaralharam e formaram uma idéia apavorante.

Julianne Moore guia os cegos pela terra do medo
Julianne Moore guia os cegos pela terra do medo

Primeiro fui ver o Ensaio sobre a cegueira, do Fernando Meirelles, sobre o livro do José Saramago. Bonito e angustiante do início ao fim. Saí do cinema enxergando e pensando tudo por uma lente branca leitosa de medo. Para quem conhece a obra do Neil Gaiman, autor da sérieSandman, o filme parece um retrato de Desespero. Uma mulher é "rainha" na terra dos cegos. Julianne Moore é a mulher do oftalmologista. Ele é um estudioso da visão. Ela confunde radicais gregos e latinos. Mas e daí? Ela vai ser a única a enxergar sobre a face da terra dos cegos.

Enfim... você já deve ter lido ou visto na TV algo sobre o enredo. A população mundial começa a ficar cega e ninguém sabe explicar ou conseguir a cura. A cegueira vira uma epidemia e os "infectados" vão sendo trancafiados e tratados literalmente como dejetos da civilização. Como em qualquer outra prisão, no mundo de horror dos cegos, estabelecem-se novos códigos sociais, com suas próprias leis, organização política, divisão de classes e valores morais-monetários. A mulher do oftalmologista esconde que não é cega ou finge que o é para ficar ao lado do marido. Acaba se tornando uma espécie de "anjo da guarda" dos cegos. Cuidando de todos, mas longe da "vista" deles. São muitas ironias e analogias ao comportamento coletivo da humanidade conflitante sobre suas crenças, preconceitos, transgressões, valores intelectuais.
Assisti à entrevista do Meirelles com a Marília Gabriela. Ele contou que oSaramago chorou ao final da projeção e que confessou sentir a mesma emoção de quando terminou de escrever o romance. Eu acho que o filme/livro é sobre inícios. Uma alegoria do horror diante das rupturas e das reviravoltas de muitas coisas.
Bom... Daí.... vou cair o nível da conversa para o filme do Bruce Willis Duro de Matar 4.0. Desculpe. É que o contexto justifica eu ter jogado o blockbuster americano na mesma panela. Ocorreu que o meu pavor reacendeu com mais essa fábula premonitória da guerra entre os hackers maus e os hackers bons. E a gente se f#*endo. Mas deixa essa para o próximo post.
Mais sobre...


Recomendações Top3
1) Filme Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles. Com Julianne Moore, Mark Rufallo, Alice Braga, Danny Glover, Gael Garcia Bernal. Inspirado no livro de José Saramago.
2) Livro/HQ "15 Retratos de Desespero", da coletânea Sandman: Noites Sem Fim. Autor Neil Gaiman, artistas Barron Sorey e Dave McKean.
3) Filme Duro de Matar 4.0. Juro que pra mim fez sentido...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Neil Gaiman na FLIP

Postado originalmente em 10/07/2008.

E não é que o homem tava na área?

Nem tomei conhecimento e levei um susto quando vi o cara na GloboNews sendo entrevistado pelo Edney Silvestre.

Acho que é porque nunca posso ir à Flip mesmo, então nem me ligo de buscar informações do evento. Mas ficar sem saber que o cara veio ao país foi fffflórida. Podia atualizar minha pilha Neil Gaiman com novos autografozinhos no Neverwhere, Coisas Frágeis (que estou lendo) etc.

Ele atualiza o diário do site direto com as novidades da viagem ao Brasil (www.neilgaiman.com). Vale conferir!

Neil Gaiman observa escultura de um Curupira na FLIP (foto de Ana Ottoni/UOL)
Neil Gaiman observa escultura de um Curupira na FLIP (foto de Ana Ottoni/UOL)

Essa foto está no álbum de imagens da FLIP no UOL. Aliás é lá que tem um especial da FLIP, que parece ser o site oficial do evento. Tem matérias com o Gaiman e outros autores participantes.

Detalhe legal da entrevista na GloboNews foi ele comparando o filme Stardust com o livro. "O livro é delicado como uma asa de borboleta," diz ele. Enquanto que o filme "is huge", forte como a asa de um cisne.

E ilustrando essa parte da entrevista, eles exibem justamente o famigerada seqüência do Dustan na feira das fadas. Para mim, nesse momento a borboletinha foi espetada na parede por um gigante.

Achei dois vídeos no G1

Entrevista no Espaço Aberto

E essa do Jornal da Globo

Neverwhere: medo e solidão nos subterrâneos

Publicado originalmente em 21/06/2008

Lugar Nenhum (Neverwhere), de Neil Gaiman"Era sexta-feira à tarde. Richard havia percebido que os acontecimentos são seres covardes. Eles nunca acontecem sozinhos: vêm numa matilha, pulando juntos sobre alguém ao mesmo tempo." -Neil Gaiman emNeverwhere (cap. 1).

Londres-de-baixo. Ratos. Nobres. Portas. Imagino que já exista um roteiro turístico tipo Neverwhere London Tour, passando pelas estações de metrô e outros locais que o personagem, Richard Mayhew, percorre, como Black Friars, Earls Court, Harrods, British Museum etc. Acho que até existe um roteiro pelos subterrâneos mesmo. A Londres subterrânea de Neil Gaiman em "Lugar Nenhum" (editado no Brasil pela Conrad) é bastante bizarra e assustadora. Mas antes de descer ao submundo da cidade, a vida de Richard Meyhew era um pouco assustadora também, se formos considerar o tédio, mesmice e até caretice das pessoas à sua volta. Na chamada Londres-de-Baixo ele encontra a emoção que faltava na vida, embora ao preço de muitas privações e perigos. É inevitável pensar nas jornadas clássicas de heróis, na Odisséia e em Alice no País das Maravilhas.

Conforme descrito na citação acima, Richard é atacado pelos acontecimentos que transformam inteiramente sua vida. Ele é um tanto medroso e crianção, mas não consigo evitar uma afeição pelo personagem. A perplexidade diante do mundo estranho e ameaçador onde ele vai parar pode ser comparada a alguns momentos da vida em que percebemos o quanto somos solitários. Quando nossas decisões têm de ser tomadas sem a ajuda de ninguém, pois temos que crescer ou amadurecer com uma dor que é individual e intransferível. Tem uma passagem (não vou detalhar para não virar um spoiler) em que Richard está sozinho numa plataforma de metrô e recebe a visita de um amigo. Fica aquela dúvida se é um delírio ou não, mas é um momento crucial da trama em que o confronto com a honestidade violenta do outro impulsiona o anti-herói a seguir com sua missão.

Minha irmã leu e contou que nunca mais olharia para um rato de rua do mesmo jeito. Quando terminei de ler, pensei: bom... é melhor respeitar as criaturas do submundo. Sei lá se não existe mesmo um outro universo nos subterrâneos das grandes cidades. Na dúvida, respeite os ratos (se puder). Respeite também a sombra de medo e solidão do outro. Pode ser um momento de transformação.

Na minha rua vive um cara que passa o tempo deitado na esquina escrevendo e lendo em voz alta as coisas que escreve. Gosto de pensar que ele é um anjo. Mas essa é uma outra história...

"Lugar Nenhum" é o primeiro romance do Neil Gaiman. Ele adaptou a história de uma série de TV que escreveu para a BBC nos anos 90. A série não foi muito bem recebida. Parece que tem problemas de qualidade na captura das imagens. Mas está em andamento a pré-produção de uma versão cinematográfica para 2009. Tem também uma versão em quadrinhos que a Conrad deve lançar este ano no Brasil.

Links para saber mais:

No site oficial do autor:

http://www.neilgaiman.com/works/Books/Neverwhere/

No Youtube (episódios da série de TV):

http://br.youtube.com/results?search_query=neverwhere&search_type=&aq=3&oq=neverw

E entrevista com NG sobre a série e o filme de "Neverwhere" e outros novos projetos.

http://br.youtube.com/watch?v=mXIKQfQRV3g

* Recomendações Top3

1 - Neil Gaiman: Sandman (série de HQs)

2 - Neil Gaiman: American Gods

3 - Neil Gaiman: Os Filhos de Anansi

STARDUST - O Desejo do Coração

Publicado originalmente em 31/05/2008

Outubro 2007

Você leitor verá que não tenho como disfarçar que o Neil Gaiman é meu autor favorito do momento.

Mas vamos ao filme.

Bom.. prefiro o livro. Mas o filme é divertido. Já até assisti de novo em DVD. Embora mantenha a atmosfera de conto de fadas, o ritmo do filme perde muito da qualidade meio poética, meio onírica do livro do Gaiman. É o tempo do escritor que não teve como ser representado em filme. Mesmo com a voz poderosa do Ian Mckellen como narrador.

"Certa vez, existiu um jovem que queria conquistar o Desejo de Seu Coração." Essa é a frase que inicia o livro. E, em si, ela carrega um mistério, uma idéia que intriga, mas que ao mesmo tempo não precisa de explicação. Desejo, Coração... O subtítulo do filme no Brasil é O Mistério da Estrela. Porém o mistério, a sutileza, a poesia, as filigranas delicadas de beleza do livro não tiveram chance alguma. Mas é como se diz por aí: livro e cinema são experiências muito diferentes.

Achei meio feia aquela sequência do encontro do Dunstan, pai do Tristan (ou seria Tristran), com a moça misteriosa, prisioneira de uma bruxa, na feira do mundo das fadas. No livro é tão bonito, mas no filme ficou um clima meio de "sacanagem" muito estranho. A necessidade do cinema de passar uma idéia condensada em segundos, às vezes é um saco. Acaba escorregando pro lado do mau gosto e vulgaridade.

Stardust
Neil Gaiman and Charles Vess: Stardust

Essa foi a única nota realmente triste na transcrição para o cinema. No mais, é divertido, tem ótimos atores, a direção de arte é belíssima. É um belo filme de aventura, romance e fantasia. No DVD tem um making-of (eu e minha mania com extras de DVDs) muito legal. O vestido da Yvaine era para ter um efeito de fluidez, como se fosse líquido. E não é que conseguiram! E tem o Neil Gaiman visitando o set de filmagem com o cenário do barco voador do capitão Shakespeare (aliás é a grande supresa do filme, a visão totalmente inesperada que deram ao personagem do de Niro... só vendo.). Gaiman passeia pelo set e pede desculpas pelo trabalho que estava dando para equipe construir um barco, que foi imaginado e descrito por ele no livro em poucos segundos. Ele tem umas idéias engraçadas em qualquer situação. Mas é verdade, né? O que um escritor ou roteirista descreve em uma linha pode custar o trabalho de uma equipe enorme, muitos recursos materiais e incontáveis terabytes de memória de computadores para a realização em um filme.

PS: Tinha uma dúvida até hoje, desde quando li o livro. O nome do cara é Tristan ou TristRan? No livro editado pela Conrad, é Tristran (com o R na segunda sílaba). Fiquei achando que era um erro de revisão da edição brasileira. E no filme, o nome é Tristan. Mas pelo que vi hoje na Amazon, é Tristran mesmo. (31/05/2008).

* Recomendações Top3

1) Livro Neil Gaiman & Charles Vess - Stardust

2) Filme Stardust

3) HQ série Neil Gaiman - Sandman"

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Precisa-se de atendente na taberna do Fim dos Mundos

Publicado originalmente em 13/09/2007

(Uma idéia de post roubada da minha irmã)

Demorou mas chegou mais um volume da reedição especial do Sandman, O Fim dos Mundos. Para quem não conhece, Sandman é uma série de graphic novels (ou quadrinhos adultos e chiques) lançados nos anos 80/90 pela DC. A coleção reúne diversos cliclos de histórias escritas por um de meus autores favoritos, o inglês Neil Gaiman.

Sandman, ou Sonho, é um dos irmão Perpétuos. Os outros são Destino, Desejo, Delírio, Desespero, Destruição e Morte. (só uma piadinha para o pessoal da turma de Mkt Digital da Facha: eles formam o mix de marketing das forças de pulsão de vida e morte, com os 7 Ds em inglês Desteny, Desire, Delirium, Despair, Destruction, Dream and Death. Hehehehe).

Para mais detalhes sobre a série, recomendo o site do autor emwww.neilgaiman.com

Que acha de parar numa taberna, beber canecas gigantes de cerveja, bater um papo infinito com estranhos e não se preocupar com as horas nem com mais nada, pois quando você se encher e for embora, o tempo lá fora não passou? Você poderá voltar à vidinha boba quando quiser e encontrar tudo como antes.

Ou ainda: imagine-se aceitando um emprego na Taberna e ficar lá nesse espaço-tempo congelado, abandonando a vidinha boba pelo tempo que quiser. Servir bebidas a criaturas até bem bizarras, mas que contam histórias irresistíveis. Na taberna do Fim dos Mundos, personagens contam histórias para passar o tempo, como os peregrinos dos Contos de Canterbury, de Geoffrey Chaucer (quem souber de uma edição em português, me fale, pois nunca encontrei), nessa Taberna em que presente, passado e futuro não existem.

Estava sem idéias para este post, mas nos minutos preciosos do café da manhã, minha irmã lembrou desse volume do Sandman que lemos este mês. Ficamos imaginando como seria bom se esconder de vez em quando na Taberna do Fim dos Mundos.